Gelato de Matcha

Amargor herbáceo na primeira colherada, umami logo atrás, sustentados por uma base propositalmente magra para que nada de gordura se meta entre o chá e a língua.

matcha gelato
Preparo
24 min
Congelamento
4 h
Rende
1000 g
Dificuldade
Fácil

Batido em vez de infundido, e engolido inteiro em vez de coado fora, o pó japonês entrega o corpo todo dele em qualquer coisa que receba. Esse fato sozinho define esta base. Dosado entre 6 e 12 g por quilo, ele carrega uns 95 por cento de sólidos secos, mais proteína e catequina, então conta como ingrediente de verdade no balanceamento e não como perfume. Também é fácil de abafar: gordura acima de 9 por cento envolve os voláteis e apaga o aroma. Por isso a gordura aqui para perto de 7.7 por cento e o creme de leite é segurado de propósito, o que deixa um veículo que sai da frente do chá.

Colocar o matcha é uma troca, não um acréscimo. Tire o matcha do leite integral: para uma dose de 10 g, o leite cai de 595 g para 585 g. Os sólidos então saem de 37.73 por cento para uns 38.6, ainda dentro de 34 a 42, e a proteína sobe cerca de 0.3 de ponto a partir de 3.72, ainda dentro de 3 a 5. Nada mais na lista muda.

A base foi construída magra de propósito. A gordura fecha em 7.73 por cento, bem abaixo do teto de 12 por cento que a maioria dos sabores de gelato de leite consome, porque gordura acima de uns 9 por cento reveste os voláteis do matcha e achata o aroma. Os açúcares ficam em 19.52 por cento, na metade de cima da faixa de 14 a 22, e isso também é deliberado: as catequinas chegam ao paladar como amargor e precisam ser cobertas. O MSNF em 10.04 por cento e 60 g de glicose em pó fornecem os sólidos que a gordura baixa custaria, e o PAC cai em 258.25 numa faixa de 220 a 300.

Ingredientes

Rende 1000 g de base pronta.

IngredienteGramasMedida caseira
Leite Integral5952 1/2 xícaras
Creme de Leite 35%1602/3 xícara
Açúcar (Sacarose)1201/2 xícara mais 2 colheres de sopa
Glicose em Pó601/4 xícara mais 1 colher de sopa
Leite Desnatado em Pó401/3 xícara mais 2 colheres de sopa
Dextrose (Glicose)201 1/2 colheres de sopa
Farinha de Semente de Alfarroba4
Sal1

Método

Matcha peneirado e diluído frio, depois bandeja gelada e garfo

  1. 1Misture primeiro todos os ingredientes secos entre si: açúcares, leite em pó, estabilizante e sal. Misturar a seco impede que o estabilizante empelote ao encontrar o líquido.
  2. 2Aqueça os líquidos a 40 C (104 F) e então acrescente a mistura seca em chuva, batendo com força.
  3. 3Aqueça a 82 C (180 F) e mantenha por 2 minutos para o estabilizante hidratar.
  4. 4Resfrie em banho de gelo até abaixo de 5 C (41 F) em no máximo 2 horas. É no resfriamento lento que começam tanto as bactérias quanto os cristais grossos.
  5. 5Deixe maturar de 6 a 12 horas na geladeira abaixo de 5 C (41 F). É nesse tempo que o estabilizante e a proteína do leite absorvem a água.
  6. 6Congele em uma forma de metal rasa, com camada de 2 a 3 cm, quebrando os cristais com um garfo a cada 30 a 40 minutos, de 4 a 6 vezes.
  7. 7Congele até firmar e deixe temperar de 10 a 15 minutos na geladeira antes de bolear.

O balanceamento

Os seis contra a faixa profissional de Gelato de leite.

Sólidos totais37.7%
3442
Açúcares19.5%
1422
Gordura7.7%
512
MSNF10.0%
812
PAC258
220300
POD168
135200

A gordura em 7.73 por cento é o único indicador aqui que foi definido contra o sabor, e não contra uma regra. Um gelato de leite pode ir até 12 por cento, e a maioria vai, mas gordura acima de uns 9 por cento encapsula os compostos voláteis que carregam o matcha, então esta base para bem antes disso e paga os sólidos que faltam em outro lugar: 40 g de leite em pó desnatado e 60 g de glicose em pó levam o MSNF a 10.04 por cento e os sólidos totais a 37.73. O segundo número deliberado são os açúcares em 19.52 por cento, altos dentro de 14 a 22, porque o amargor da catequina tem que ser coberto. O resto fica onde deve: POD 167.96 contra um teto de 200, PAC 258.25 em 220 a 300, proteína 3.72 em 3 a 5, água 62.27 em 58 a 66. A lactose é 5.47 por cento da mistura e 8.78 por cento da água, e passa no teste de arenosidade.

Nota técnica

O matcha não entra no pasteurizador. Sob calor, e pior ainda em pH baixo, o magnésio do centro da molécula de clorofila é trocado por hidrogênio, o verde vivo vira feofitina marrom-oliva, e o estrago é químico e permanente. Colocar mais pó depois não desfaz nada. A rotina: peneire o matcha, trabalhe ele até virar uma pasta lisa com um pouco da base a 40 C, homogeneíze e só incorpore depois da pasteurização e do resfriamento, antes da maturação. Jogar o pó seco direto numa mistura fria dá grumos que nenhuma batida desfaz. Duas consequências para o balanceamento. O açúcar tem que trabalhar na metade de cima da janela dele, que é por isso que esta ficha marca 19.52 por cento. E o tipo importa: matcha cultivado à sombra, mais alto em teanina e mais baixo em catequina, é o único que tem gosto doce, enquanto um matcha culinário velho e já oxidado entrega um amargor metálico que o açúcar não esconde. Guarde longe da luz e do oxigênio, porque o matcha oxida rápido depois de aberto.

Se der errado

A cor está marrom-oliva em vez de verde.

O matcha foi aquecido. A clorofila virou feofitina, e essa reação não tem volta.

Pasteurize a base sem o chá, resfrie e só então incorpore a pasta antes da maturação. Depois que a cor vira, mais pó não traz ela de volta.

Amargor metálico e agressivo que o açúcar não cobre.

Pó culinário velho ou oxidado, alto em catequina. Os açúcares já estão em 19.52 por cento, na metade de cima de 14 a 22, então não sobra espaço para adoçar e escapar.

Use matcha cultivado à sombra, mais alto em teanina, de uma lata que ficou fechada e longe da luz.

Pontinhos escuros e grumos arenosos no gelato pronto.

O pó seco foi despejado numa base fria. O matcha não se dispersa desse jeito.

Peneire o pó, faça uma pasta lisa com um pouco de base a 40 C e depois misture essa pasta no restante.

Alérgenos: milk

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