Gelato de Cappuccino
Quem lidera é o laticínio: macio, quase espumado, doce antes do torrado, com o amargor aparecendo só no final e a canela ficando na borda.

A primeira colherada se lê como leite. É macia, com sensação levemente espumada, e doce antes que qualquer coisa torrada apareça. O café vem um tempo depois, um amargor seco no fundo da língua que se abre à medida que o gelato esquenta rumo à temperatura de consumo. A canela é a última coisa que você nota e a primeira de que sentiria falta, em 1 g por quilo, polvilhada em vez de temperada. Essa ordem é construída: o MSNF fica em 10.58 por cento, alto dentro da faixa profissional, enquanto o café total fica em 64 g por quilo, então o laticínio segura a frente do jeito que o leite vaporizado faz na xícara.
Por isso o café é mantido pequeno: 60 g/kg de espresso mais apenas 4 g/kg de solúvel, 64 g de café no total. O lado lácteo faz o contrário. O leite desnatado em pó vai a 51 g/kg contra um teto de 55 g/kg, e o MSNF termina em 10.58%, no terço superior da faixa de 8 a 12. É aí que moram o gosto de leite cozido e a boca aveludada, de espuma.
A gordura, por sua vez, fica em 7.57%, na metade inferior de 5 a 12, e é a mais magra das bases de leite puro deste grupo. Um cappuccino é leite, não creme, e carregar no creme borraria o café em vez de emoldurá-lo.
A canela é 1 g/kg, que é o polvilho por cima de um cappuccino italiano, não um gelato de especiaria. Acima de uns 3 g/kg ela começa a mascarar o café, e o amido dela resseca a textura.
Ingredientes
Rende 1000 g de base pronta.
| Ingrediente | Gramas | Medida caseira |
|---|---|---|
| Leite Integral | 539 | 2 1/4 xícaras |
| Creme de Leite 35% | 160 | 2/3 xícara |
| Açúcar (Sacarose) | 160 | 3/4 xícara mais 1 colher de sopa |
| Café Espresso (Forte) | 60 | |
| Leite Desnatado em Pó | 51 | 1/2 xícara mais 1 colher de sopa |
| Dextrose (Glicose) | 20 | 1 1/2 colheres de sopa |
| Café Solúvel | 4 | |
| Farinha de Semente de Alfarroba | 4 | |
| Canela em Pó | 1 | |
| Sal | 1 |
Método
Congelar em bloco, depois processador
- 1Misture primeiro todos os ingredientes secos entre si: açúcares, leite em pó, estabilizante e sal. Misturar a seco impede que o estabilizante empelote ao encontrar o líquido.
- 2Aqueça os líquidos a 40 C (104 F) e então acrescente a mistura seca em chuva, batendo com força.
- 3Aqueça a 82 C (180 F) e mantenha por 2 minutos para o estabilizante hidratar.
- 4Resfrie em banho de gelo até abaixo de 5 C (41 F) em no máximo 2 horas. É no resfriamento lento que começam tanto as bactérias quanto os cristais grossos.
- 5Deixe maturar de 6 a 12 horas na geladeira abaixo de 5 C (41 F). É nesse tempo que o estabilizante e a proteína do leite absorvem a água.
- 6Congele em uma forma de metal rasa, com camada de 2 a 3 cm, quebrando os cristais com um garfo a cada 30 a 40 minutos, de 4 a 6 vezes.
- 7Congele até firmar e deixe temperar de 10 a 15 minutos na geladeira antes de bolear.
O balanceamento
Os seis contra a faixa profissional de Gelato de leite.
A fórmula inteira é uma troca entre dois números que puxam em direções opostas. Subir o MSNF para 10.58% é o que faz isto se ler como cappuccino em vez de café, mas os sólidos do leite são em grande parte lactose, que quase não adoça, então a sacarose teve de ficar alta, em 160 g/kg, para pousar o POD em 182.66, perto do topo da faixa de 135 a 200. A dextrose foi então limitada a apenas 20 g/kg, porque a dextrose rebaixa forte o ponto de congelamento e o PAC já ia para 259.24, dentro de 220 a 300. O custo de puxar para o leite aparece no terceiro número: a lactose fica em 9.22% da fase aquosa, o que passa, mas com pouco espaço sobrando. Por volta de 12% de MSNF, a lactose satura na fase aquosa congelada e cristaliza na textura de areia molhada chamada arenosidade, e é por isso que o teto de 55 g/kg de pó não é algo para alargar.
Dois detalhes de ordem de operação decidem esta receita. Hidrate o leite em pó junto com o açúcar no leite a 40 C antes de subir a temperatura, senão ele forma grumos que nunca se dispersam. A canela em pó não se dissolve de jeito nenhum: misture o 1 g no açúcar seco primeiro e passe a base no mixer, ou ela boia e depois queima no fundo da panela durante a pasteurização. O café entra frio, depois que a base voltou abaixo de 45 C, porque espresso quente batendo em laticínio quente é ácido o bastante para talhar. O resto é padrão de base de leite: maturar a 4 C, bater frio.
Se der errado
Lactose cristalizando. O MSNF já está em 10.58% e a lactose em 9.22% da fase aquosa, então pó a mais desequilibra.
Não suba o leite desnatado em pó acima de 51 g/kg, e nunca passe do teto de 55 g/kg. Corrija corpo fraco com creme.
Leite em pó acrescentado ao líquido quente, ou canela jogada na base, onde boia e depois assenta no fundo quente da panela.
Hidrate o pó com o açúcar no leite a 40 C e disperse a canela no açúcar seco antes que ela encoste em qualquer líquido.
Espresso acrescentado quente numa base quente, onde a acidez dele coagula a caseína.
Esfrie a base abaixo de 45 C primeiro, depois incorpore os 60 g de espresso e os 4 g de café solúvel frios.
Alérgenos: milk
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