Gelato de Canela
A especiaria quente floresce devagar por uma base láctea rica, doce na frente, levemente amadeirada no fundo, e fica no paladar muito depois que o frio passou.

Compre esta pelo cheiro, não pelo preço. Pó moído na hora atravessa o saco doce e resinoso, enquanto estoque que ficou aberto se lê empoeirado, e nenhuma dose extra conserta isso, porque o que sumiu é volátil e não volta. A finura da moagem importa igual, já que a especiaria nunca dissolve. Ela fica dispersa na mistura e vai decantar durante a maturação, e é por isso que 4 g de farinha de semente de alfarroba estão na fórmula segurando ela em cima, e por isso que uma moagem grossa termina como areia no fundo da cuba. A 8 g/kg o sabor domina sem tombar para o amargor tânico e adstringente que aparece depois de 12 g/kg.
8 g/kg é onde a canela em pó vira o sabor do gelato em vez de nota de fundo. Abaixo de 6 g/kg ela se lê como creme vagamente temperado. Acima de 12 g/kg os taninos assumem e o final fica seco e adstringente, coisa que o frio só piora. Os 3 g/kg de extrato de baunilha não estão ali como sabor próprio: eles arredondam a ponta afiada do cinamaldeído para que a especiaria chegue como calor e não como espeto.
Como a especiaria não contribui nada para a curva de congelamento, tudo que é estrutural vem de outro lugar, e os números mostram isso. 160 g/kg de creme de leite e 47 g/kg de leite em pó desnatado colocam a gordura em 7.75% e o MSNF em 10.72%, no terço de cima da faixa de 8 a 12. É uma carga láctea pesada, e é deliberada: gordura e sólidos lácteos são o que carrega uma especiaria que não traz açúcar nem água própria.
O POD fica em 182.77, alto na faixa de 135 a 200. A canela se lê como doce sem ser doce, e uma base que soasse chapada por baixo dela faria a especiaria parecer áspera, então 160 g/kg de sacarose foram escolhidos em vez de uma fatia maior de dextrose.
Ingredientes
Rende 1000 g de base pronta.
| Ingrediente | Gramas | Medida caseira |
|---|---|---|
| Leite Integral | 597 | 2 1/2 xícaras |
| Creme de Leite 35% | 160 | 2/3 xícara |
| Açúcar (Sacarose) | 160 | 3/4 xícara mais 1 colher de sopa |
| Leite Desnatado em Pó | 47 | 1/2 xícara |
| Dextrose (Glicose) | 20 | 1 1/2 colheres de sopa |
| Canela em Pó | 8 | |
| Farinha de Semente de Alfarroba | 4 | |
| Extrato de Baunilha | 3 | |
| Sal | 1 |
Método
Bandeja rasa, canela em infusão fria, dois passes de mixer
- 1Misture primeiro todos os ingredientes secos entre si: açúcares, leite em pó, estabilizante e sal. Misturar a seco impede que o estabilizante empelote ao encontrar o líquido.
- 2Aqueça os líquidos a 40 C (104 F) e então acrescente a mistura seca em chuva, batendo com força.
- 3Aqueça a 82 C (180 F) e mantenha por 2 minutos para o estabilizante hidratar.
- 4Resfrie em banho de gelo até abaixo de 5 C (41 F) em no máximo 2 horas. É no resfriamento lento que começam tanto as bactérias quanto os cristais grossos.
- 5Deixe maturar de 6 a 12 horas na geladeira abaixo de 5 C (41 F). É nesse tempo que o estabilizante e a proteína do leite absorvem a água.
- 6Congele em uma forma de metal rasa, com camada de 2 a 3 cm, quebrando os cristais com um garfo a cada 30 a 40 minutos, de 4 a 6 vezes.
- 7Congele até firmar e deixe temperar de 10 a 15 minutos na geladeira antes de bolear.
O balanceamento
Os seis contra a faixa profissional de Gelato de leite.
Olhe como o trabalho do açúcar foi dividido. 160 g/kg de sacarose contra apenas 20 g/kg de dextrose dão POD 182.77, perto do topo da faixa de 135 a 200, enquanto o PAC se acomoda em 259.39, meio da faixa de 220 a 300. É um ajuste puxado para a doçura, e é o certo para uma especiaria com POD de 2.0: a canela acrescenta calor percebido, mas nenhuma doçura real, e uma base de canela pouco adoçada tem gosto de amargo em vez de suave. A restrição do outro lado é a lactose, que fica em 9.35% da fase aquosa, a margem mais apertada desta fórmula. É isso que limita o leite em pó desnatado a 47 g/kg mesmo com o MSNF em 10.72% ainda tendo espaço até 12%: ir além trocaria um corpo marginalmente mais firme por arenosidade na segunda semana. Os 4 g/kg de farinha de semente de alfarroba fazem um segundo trabalho que não fazem na maioria das receitas, que é manter a canela em suspensão. O pó nunca dissolve, e numa mistura sem estabilizante ele afunda durante a maturação.
O cinamaldeído é volátil e vai embora com o vapor. Pasteurize a base a 85 C sem a canela, resfrie a 4 C e só então incorpore o pó peneirado, deixando que ele extraia ao longo de uma maturação de 4 a 12 horas. Misture os 8 g/kg de pó a seco com um punhado da sacarose antes que ele toque em líquido, senão ele forma grumos que sobrevivem ao mixer. Use canela do Ceilão em vez de cássia sempre que puder: a cássia carrega mais cumarina e uma carga de tanino mais pesada, e tanino mais frio é igual a boca seca. A mistura vai ficar bege e a especiaria decanta sempre que a agitação para, então mantenha em movimento até o momento em que ela congela.
Se der errado
A canela empelotou. Jogada direto no líquido, ela forma grumos revestidos que nunca se abrem.
Misture os 8 g/kg de pó com parte dos 160 g/kg de sacarose enquanto os dois estão secos, depois incorpore essa mistura à base fria.
A canela passou pela pasteurização a 85 C e o cinamaldeído evaporou.
Pasteurize a base pura, resfrie a 4 C, acrescente a canela depois e deixe a maturação de 4 a 12 horas fazer a extração.
Ou a dose passou de mais ou menos 12 g/kg, ou a canela é cássia e não do Ceilão e está carregando mais tanino.
Fique em 8 g/kg e mude para a do Ceilão. Não corrija com mais açúcar: o POD já está alto, em 182.77, exatamente por esse motivo.
Alérgenos: milk
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